Palestra

Diálogos pela Educação: o desenvolvimento moral de crianças e adolescentes


Pais e mães de crianças e adolescentes costumam ter desejos semelhantes quando pensam no futuro dos filhos: que se tornem adultos responsáveis, bons e conscientes, que sejam generosos, honestos e empáticos. 

Essas características estão relacionadas ao desenvolvimento moral, ou seja, à habilidade de identificar o que é certo e o que é errado e optar por fazer o certo por conta própria. 

Esse foi o tema trazido pela Profa. Dra. Catarina Carneiro Gonçalves ao Colégio em mais uma edição dos Diálogos pela Educação. Ela é pedagoga formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestra e doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e coordena pesquisas sobre conflitos e violência na escola, com ênfase na formação de educadores para gestão de conflitos.

De acordo com a professora, para que essas qualidades se desenvolvam, é preciso mais do que apenas esperar o tempo passar ou a criança crescer: “Educar pessoas que sejam boas e que cuidem bem de si mesmas, dos outros e do planeta exige dedicação, afeto e acompanhamento constante dos adultos.”

Como ela explicou para as famílias do Colégio, é preciso valorizar e celebrar o bem comum e a honestidade para que as crianças desejem agir de forma correta. “A sensação de fazer o bem, ser honesto e generoso é maravilhosa. Todos os dias, nós precisamos enaltecer e mostrar o quanto isso é bacana para os mais jovens”, ressaltou a educadora. 

E como as famílias podem cuidar da formação ética de seus filhos? Para Catarina, esse é um trabalho longo, contínuo e complexo, mas do qual não podemos abrir mão como família, escola e sociedade como um todo. 

“Educar pessoas que sejam boas e que cuidem bem de si mesmas, dos outros e do planeta exige dedicação, afeto e acompanhamento constante dos adultos.” 

 

Orientação e diálogo contínuos: o papel dos adultos

Profa. Catarina de óculos, com microfone nas mãos, fala sobre o desenvolvimento gradual da moralidade
Encontro com famílias no Colégio reforçou a importância da presença adulta na construção da autonomia ética dos jovens

A professora da UFPE enfatizou que crianças e adolescentes precisam de acompanhamento adulto para agir de forma ética, até atingir a maturidade para fazer isso por conta própria. Segundo ela, esse é um dos grandes objetivos da educação, tanto na escola como em casa: formar pessoas capazes de optar por fazer o que é certo

Ao final da adolescência, espera-se que os jovens consigam se autorregular para saber o que é correto e decidir agir de acordo com isso, mesmo que não haja um benefício para si próprios. E não apenas pelo cumprimento de regras ou leis, mas por valorizar esses princípios.

Para isso, a família precisa, desde cedo, criar um canal aberto de diálogo que os ajude a refletir sobre suas atitudes e das outras pessoas. É fundamental estar presente e ter um interesse genuíno pela vida da criança e do adolescente, pelo que acontece na escola, pelo que gostam de assistir, ouvir e fazer.   

A partir dessas conversas e das experiências que vivem, eles devem entender, desde pequenos, princípios básicos como:

  1. violência física e verbal são inaceitáveis
  2. é possível discordar sem perder uma amizade
  3. ofensas e atitudes maldosas não são brincadeira. 

 

Não é “só brincadeira”

Sobre apelidos ofensivos, comentários maldosos e violências de todos os tipos, Catarina reforçou que não são brincadeira. 

De acordo com a explicação dela, tentar justificar ou evitar repreensão dizendo que “foi só brincadeira” não diminui a gravidade de ações desse tipo. Essa frase tão recorrente tampouco ajuda a amenizar o sofrimento da outra pessoa.  

“Principalmente na adolescência e pré-adolescência, existe a necessidade de ser popular, de ‘lacrar’, mas o jovem tem que saber que não é possível fazer isso às custas do sofrimento do outro. Isso é inegociável.”

 

“É preciso deixar muito claro que a minha vontade de ser engraçado e de fazer piada jamais pode ser mais importante que o sofrimento de outra pessoa”

 

Por que os conflitos são importantes?

A professora falou também sobre os desafios de conviver com as pessoas e os conflitos que vêm daí. Ela esclareceu que, apesar do que se possa imaginar, essas situações são necessárias para que a criança se desenvolva moralmente. 

Por ser o ambiente da coletividade, a escola é um lugar privilegiado para esse encontro com muitas formas de ser diferente. Esse costuma ser o primeiro ambiente onde a criança se encontra com uma diversidade de histórias, crenças, hábitos, jeitos de pensar, falar e agir. Essa é a origem dos conflitos. 

De acordo com a professora da UFPE, os adultos precisam aceitar que os conflitos  são inevitáveis. Eles vão acontecer e são muito importantes para a construção do caráter. 

Isso porque, para respeitar e ser justo com todos e não apenas com quem é igual a mim, é preciso conviver com o outro. É preciso sentir e entender que todos são importantes (e não apenas ‘eu’) e têm necessidades diversas. 

Nesse espaço que é de todos, todos precisam conviver de maneira respeitosa e generosa. Todos devem ser reconhecidos em sua individualidade. E todos devem ter seu lugar e importância respeitados a partir das diferenças. 

 

É possível evitar o sofrimento?

Os conflitos na escola têm origens inumeráveis. Eles causam sofrimento e vão acontecer. Como orientou a professora Catarina, é preciso aceitar que não é possível evitar o sofrimento da criança e do adolescente

Como exemplo, ela argumentou que mesmo a frase tão popular “eu não quero que você sofra” deve ser evitada. Isso porque o discurso de que é possível “viver sem sofrer” transmite mensagens que não queremos passar, como:

  1. seu sofrimento me causa sofrimento e eu não quero sofrer
  2. sofrer é insuportável; eu não consigo suportar e você também não   
  3. a expectativa irreal de que a vida pode acontecer sem sofrimento, o que não é verdade. 

As crianças só aprendem a lidar com situações difíceis e com o sofrimento quando os vivenciam. E elas precisam saber que quem está vivo sofre e tem problemas e que é possível passar por essas situações. 

Quando podem refletir sobre o que sentem e sobre o que causou sofrimento/desconforto/problema, as crianças criam repertório para se recuperar e superar a dificuldade. A cada situação vivida e enfrentada, elas se sentem um pouco mais confiantes, seguras e autônomas.

 

“A sensação de fazer o bem, ser honesto e generoso é maravilhosa. Todos os dias, nós precisamos enaltecer e mostrar o quanto isso é bacana para os mais jovens”

 

Por isso, os adultos não devem tentar resolver o problema no lugar da criança, nem tentar blindá-la ou protegê-la do conflito para evitar seu sofrimento.

Da mesma forma, não se deve deixar que a criança ou o adolescente “se vire” sozinho – é preciso estar sempre junto deles, ouvi-los e apoiá-los. 

“Essa é uma oportunidade maravilhosa de conversar, de ajudar a ver o que é correto e o que não é, de criar uma relação de confiança com seu filho. Com o seu acompanhamento, ele vai poder pensar no que fazer de forma respeitosa e empática, nas possíveis consequências, sempre a partir do princípio de que a violência é inaceitável.”

Dessa maneira, o adulto passa para a criança (ou adolescente) a mensagem de que confia nela e sabe que ela é capaz de enfrentar situações difíceis.  

Últimos Posts


Comitê Olímpico Uirapuru: a cultura das olimpíadas científicas no Colégio
Nos últimos anos, as olimpíadas científicas se tornaram uma poderosa ferramenta pedagógica e parte da cultura do Colégio, que acaba de lançar seu núcleo de olimpíadas e competições de...
Exames de Cambridge: 90% dos alunos do 8º ano do Uirapuru conquistam certificado
Certificações mostram progresso consistente no bilinguismo e indicam caminhos personalizados para o desenvolvimento de cada turma Em setembro, o Colégio ofereceu a todos os alunos do 5º e do...
Três estudantes do High School mostram o Dual Diploma no dia da formatura em 2024
High School Dual Diploma é aceito como forma de ingresso na ESPM
Certificado oferecido pelo Uirapuru em parceria com a Universidade do Missouri é aceito pela ESPM para ingresso na graduação; duas alunas da 3ª série já foram aprovadas Os estudantes do...
Estudantes do 3º ano do Médio fazem prova em sala do Colégio Uirapuru.
Aprovação de alunos do Uirapuru em universidades aumentou nos últimos anos
De 2019 a 2025, os estudantes do Ensino Médio do Uirapuru conquistaram um número expressivo de vagas em universidades, direto da 3ª série Ao longo desses sete anos, os números mostram...

Agende uma visita e conheça mais sobre o Colégio Uirapuru. Será um prazer recebê-los!

Novos Alunos

Informações sobre matrículas no Colégio Uirapuru.

Acesse
Dúvidas e informações entre em contato com o Colégio.

App Uirapuru

Baixe o Novo APP do Uirapuru e tenha um canal direto com o Colégio na palma da mão.

Veja como baixar

Siga o Uirapuru

Acompanhe as novidades e informações da nossa comunidade nas redes sociais.

Facebook
Instagram
YouTube
LinkedIn

Siga o Uirapuru


App Uirapuru

Clicando em "Aceito todos os Cookies" ou continuar a navegar no site, você concorda com o armazenamento de cookies no seu dispositivo para melhorar a experiência e navegação no site. Consulte a Política de Privacidade para obter mais informações.

Aceito todos os Cookies